Sem Palco

27Fev/10

A equipa da Performance nas Celas….

"Ontem não alimentei o meu hamster, deixei-o sem comer durante a noite toda. Estava a fazer um barulho irritante, então tapei-o para não ter de o ouvir mais. Hoje de manhã, lá estava ele, um pouco mais fraco, um pouco mais abatido, um pouco mais contente com o facto de eu lhe dar comida.

Gosto bastante do meu pequeno hamster, gosto de chegar a casa e olhar para a gaiola onde o tenho guardado, gosto da companhia dele enquanto cozinho. Não gosto de o ter na gaiola, tenho pena dos animais, mas é a única maneira de mantê-lo sob vigilância, caso contrário.... zás... e sai a correr por todo o lado. E depois encontrá-lo?

Gosto de o alimentar, gosto de sentir que ele fica satisfeito de cada vez que eu o alimento. Um pouco como os progenitores alimentam os seus filhotes – não é que eu sinta que ele seja o meu filhote – mas eu fico satisfeita de cada vez que o vejo pedir por comida, os seus olhinhos a espreitarem por entre as grades da gaiola e eu (detesto afirmá-lo) sinto-me importante, sinto que a qualquer momento posso deixar de o fazer, que se um dia me cansar, deixar de me apetecer de ter este animal de estimação, posso ter um outro qualquer, posso abdicar de lhe dedicar atenção e, no entanto, ele não pode fazer o mesmo, instintivamente sabe que tem que lutar pela minha atenção, é uma questão de sobrevivência no mundo animal.

Ás vezes tiro-o da gaiola, agarro-o e lentamente manipulo o seu percurso ao longo da minha mão direita, sentindo por vezes pequenas mordidas. Irritam-me tanto... essas pequenas mordidelas, essas...mordidelas. Então, pouso-o na minha mesa, a mesinha da sala de jantar, e deixo pousar as suas patinhas no tampo e dou-lhe por breves segundos a sensação que o vou largar, para imediatamente calcar, com o meu dedo indicador, a sua cauda.

Lembro-me do primeiro dia que o trouxe para casa, tinha comprado a gaiola no dia anterior, estava ansiosa por poder ver aquela gaiola habitada por um pequeno espécime dos roedores. Assim que o coloquei dentro da gaiola quase que se podia sentir o palpitar do seu coração. Tinha-o escolhido propositadamente duma gaiola onde estavam vários iguais, queria ver qual seria a reacção à solidão imposta por mim. O seu comportamento foi gradualmente passando de agitado para uma repetição monótona das mesmas acções ao longo do dia: bebia água umas quatro a cinco vezes ao longo do dia, pedia por comida quatro vezes por dia, dormitava em pequenos intervalos de tempo, brincava na roda ao final da manhã e ao final da tarde, e no dia em que o tirava da gaiola para ver o telejornal no meu colo ele aguardava imóvel junto à pequena porta do seu grande habitat.

Hoje, depois de ter comido foi-se enroscar no seu “novelozinho de desperdício” e não bebeu água, não voltou a pedir por comida, nem sequer andou na roda. Achei que podia conservá-lo para sempre no meu poder, até me fartar, mas hoje senti que não é bem assim, ele de alguma forma com esta acção ganhou poder sobre mim, apenas um animal – um animal não-humano – e ainda assim ganhou... Senti que não devia ter dado atenção, que se calhar este era o momento ideal para me deixar de preocupar, e ao mesmo tempo senti que todo o poder que eu achava que tinha sobre ele não significava nada se ele não existisse, que aquilo que existia era um compromisso de duas realidades que sem querer acabaram por se completar. Enquanto olhava para ele, ali perdido dentro do seu pequeno mundo, pensei em mim e nas relações humanas que são realidades que se complementam onde todos nós precisamos dos outros, das acções dos outros, dependemos uns dos outros.

Se eu deixar de lhe dar comida ele morre. Se ele morrer eu fico sozinha."

Coordenação Local e Apoio à Investigação |

Drª Rita Faria (Escola de Criminologia do Porto)

Performers |

Daniel Pinheiro, Mafalda Abreu e Tiago Bôto

Agradecimentos

Professor Cândido Agra, Drª Rita Faria, Inês Guedes, Margarida Correia, David Silva, Josefa Bôto, Ebony Jackson, Fernando Coutinho

Apoios

Universidade do Porto; Teatro Universitário do Porto; OLMAN – Tecidos e Decorações, Lda; ESMAE.


27Set/09

Convocatória à Participação da Comunidade do Porto num Projecto Artístico em Espaço Público FESTIVAL FUTURE PLACES 09 – PORTO

Pretendemos convocar as pessoas da cidade do Porto para participar num flash-mob (http://en.wikipedia.org/wiki/Flash_mob) uma performance em espaço público integrada no Festival Future Places, um Festival de Digital Media and Local Cultures que tem a sua 2ª edição este ano na cidade do Porto http://www.futureplaces.org

A 1ª sessão/reunião irá acontecer dia 6 de Outubro pelas 19h e/ou 21h30m, conforme as disponibilidades dos participantes.

O ponto de encontro será junto ao Café Piolho, entre a esplanada e a entrada lateral para o edifício da Reitoria da U.P. situado na Praça dos Leões (Praça Gomes Teixeira).

Esta primeira sessão destina-se a um primeiro contacto com o conceito e objectivos do projecto flash-mob e perceber as disponibilidades de todos para tentar reunir um grupo de pessoas para este flash-mob que terá lugar numa praça pública da cidade do Porto no dia 15 de Outubro.

As sessões seguintes serão agendadas após esta primeira sessão. Será um máximo de 3 reuniões/ensaios. Não é necessário que os participantes tenham experiência prévia em actividades deste género, é apenas necessária boa disposição e vontade de causar impacto na cidade do Porto!

Todos os participantes serão convidados a dar ideias e sugestões para que possamos abordar neste projecto questões pertinentes para a comunidade do Porto.

Se estás interessado em participar envia-nos o teu nome e contactos para:
transumancia.porto@gmail.com

No caso de qualquer dúvida, além do e-mail podes também contactar-nos através dos números:

93 6756991 | 918814598 | 96 9607812

Contamos contigo no dia 6 de Outubro! Passa a palavra também!


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Os Sem Palco são uma associação cultural sem fins lucrativos cuja vocação fundamental é promover o cruzamento entre diferentes formas de expressão criativa.

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